Foto/Reprodução
O Ministério Público de Santa Catarina abriu um procedimento para investigar a conduta de um vereador de Vargem, na Serra catarinense, gravado no momento em que dava um golpe "mata-leão" (imobilização no pescoço) em um policial militar.
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O parlamentar Divonei Cardoso (PL), ainda aparece nas imagens empurrando e tirando o agente de segurança à força para fora da casa onde ocorria a abordagem (assista abaixo). Segundo a Polícia Militar, o PM tentava imobilizar um suspeito de embriaguez que resistia à prisão. O flagrante ocorreu no domingo (5).
Ao g1 SC, o vereador disse que não houve intenção de agredir ou ferir policiais. O parlamentar alegou que escutou gritos vindos de uma casa e "com medo de que podia acontecer o pior, por estar envolvendo até criança que estava no local", foi tentar "controlar a situação" (leia a íntegra do relato abaixo).
A confusão teve início, de acordo com a PM, após um homem suspostamente embriagado, de 24 anos, fugir de uma abordagem e entrar em sua casa. Os policiais o perseguiram para fazer a prisão em flagrante. Na residência, precisaram de "apoio de outra guarnição por conta da resistência dos familiares".
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O Ministério Público também informou que a conduta dos policiais será avaliada pela promotoria do Controle Externo da Capital.
Abordagem
No vídeo é possível ver dois policiais pedindo que um homem saísse de dentro de uma casa enquanto outras pessoas filmam. O homem não acata a ordem, bate com força e quebra um pedaço de vidro dela. As imagens que foram divulgadas nas redes sociais mostram apenas parte da ação. A reportagem não teve acesso à íntegra da gravação.
As imagens ainda mostram os policiais entrarem no local e seguirem até um dos cômodos onde tentam algemar e imobilizar o suspeito. Outras pessoas também aparecem entrando no local, entre elas o vereador, que afasta os agentes com empurrões e um mata-leão.
Ao g1 SC nesta sexta-feira (10), o parlamentar afirmou que estava em uma confraternização com familiares em um clube no qual é proprietário quando, por volta das 16h, o homem citado pela PM por fugir de uma abordagem passou com um carro na frente do estabelecimento e estacionou ao lado de uma viatura da PM, que também estava no local.
Segundo Cardoso, os policiais se direcionaram ao homem e questionaram "o que ele estava olhando". Conforme o relato do político, o homem teria perguntado aos militares se eles queriam ver seus documentos, mas "nesse momento um dos policiais foi até o veículo tentando retirá-lo de dentro, pelo pescoço". O homem, então, acelerou o carro e foi para casa.
Os policiais seguiram o suspeito e "foram até a porta, dando chutes até arrebentar", entraram na casa e, em um dos quartos, tentaram imobilizar o homem. "Foi onde eu escutei gritos de socorro", relatou.
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"Como aparece nos vídeos, eu e mais alguns envolvidos conseguimos controlar o que estava ocorrendo dentro da casa. Por que vi que a ação não era legal, pelo fato deles não terem autorização e muito menos motivo para uma ação tão violenta. Para quem vê o vídeo e não sabe da real história, pode interpretar errado", disse.
Questionado se haveria um inquérito militar aberto para apurar a conduta dos militares, o Comando da PM afirmou que "não há motivo em relação às ações dos policiais para averiguação interna" e que os tramites legais seguem com a Polícia Civil. Conforme a PM, o homem foi levado à delegacia.
Ao g1 SC, o delegado Fabio Faustino Pereira informou que foi lavrado um termo circunstanciado pela prática de crimes de menor potencial ofensivo contra o homem que fugiu da abordagem policial.
A reportagem procurou a Câmara de Vereadores e aguardava retorno até a última atualização do texto.
Veja o video: