Brasil
Morte de INFLUENCER em procedimento para aumentar os glúteos: dona de clínica falsificou CRM de médica para atender

Publicado em 07/07/2024 08:25 - Atualizado em 07/07/2024 08:25

Aline morreu após procedimento


Do Metropoles - Novos detalhes a respeito da atuação fraudulenta da falsa biomédica Grazielly da Silva Barbosa foram divulgados por integrantes da família da modelo brasiliense e influenciadora digital Aline Maria Ferreira (foto em destaque), morta aos 33 anos após reação à aplicação da substância PMMA (polimetilmetacrilato).

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Segundo familiares, Grazielly continuava os negócios normalmente, apesar da morte de Aline no dia 2 de julho. A médica ainda estaria em meio a atendimentos com outras pacientes quando foi presa em flagrante pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) na última quarta-feira (3/7).

“Ela [Grazielly] tem que parar. No dia em que a polícia foi lá na clínica dela, ela já tinha pintado e mudado o nome da clínica. E já estava [em atendimento] com outras pessoas. Como ela não vai saber que o que aconteceu com a Aline não vai acontecer com elas [as outras pacientes]?” questiona Elisângela Lima, tia de Aline.

Apurações da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), da PCGO, apontaram que a clínica da biomédica, a Ame-se, em Goiânia, não possuía alvará sanitário. Os policiais civis acionaram a Vigilância Sanitária de Goiânia, que compareceu ao local e interditou o consultório.

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Grazielly Barbosa foi levada para a delegacia após receber voz de prisão em flagrante por crimes contra as relações de consumo.

Confiança quebrada e carimbo falsificado

Durante o programa Encontro, Eva Ferreira, mãe de Aline, revelou detalhes da forma como agiu Grazielly durante os últimos dias da vítima.

Aline já teria feito ao menos cinco outros procedimentos estéticos com a falsa profissional. Ainda segundo a família, a influenciadora não apenas confiava em Grazielly, mas mantinha uma relação de amizade com a criminosa. “A Aline confiou nela, pois já a conhecia. A gente descobriu que ela não era nada do que falou quando tudo isso aconteceu”, revelou.

“Até de manhã, na segunda-feira, ela estava bem. Quando foi entre 12h e 13h, ela falou que estava com febre e ligou para a Grazi. Ela disse que era normal e mandou tomar dipirona. A febre passou. Na quarta-feira, ela começou a sentir uma dor muito forte na barriga. Ela [Grazielly] repetiu que era normal por conta das medicações que a Aline estava tomando e mandou comprar um outro remédio para ‘forrar’ o estômago e evitar a dor. Não passou. Então, ela mandou trocar o antibiótico, mas a dor foi só aumentando”, lembrou Eva.

“No hospital, os exames acusaram uma infecção urinária e outra infecção. Ela pediu a localização do hospital e chegou lá afirmando que nada do que estava acontecendo estava relacionado ao que ela tinha feito com minha filha. Depois, ela saiu, foi até a farmácia e comprou outro remédio, mas não deixamos ela dar nada. No outro hospital, foi constatado que precisaria ir para a UTI. Depois, conseguiram a vaga [na UTI] em outro hospital e a transferiram. E foi parando os rins, o fígado, e o coração apresentou um problema, um inchaço”, revelou a mãe da influenciadora.

Ainda segundo Eva, Grazielly teria tentado receitar ao menos três medicamentos diferentes, entre analgésicos e antibióticos. A falsa profissional, no entanto, não possui nenhuma formação profissional para tal e ainda estaria utilizando um carimbo falso para fazer receitas às pacientes da clínica estética da qual era proprietária.

O caso

Parentes da influenciadora contaram que ela teve uma infecção generalizada após aplicação de PMMA nos glúteos. Aline, que somava mais de 50 mil seguidores no Instagram, morreu em um hospital particular da Asa Sul, onde estava internada desde sábado (29/6). Antes, ela havia sido atendida no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

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Testemunhas informaram à polícia que a modelo começou a passar mal logo após a intervenção estética feita por Grazielly, no último dia 23. A família da influenciadora detalhou que Aline voltou para casa, no Gama (DF), e começou a sentir febre e dor na barriga. Eles entraram em contato com a clínica, cuja equipe recomendou apenas que a paciente tomasse um remédio para dor de cabeça.

Naquela data, o marido de Aline a levou para um hospital particular, na Asa Norte; posteriormente, para a unidade regional pública da área (Hran), onde a jovem ficou internada por um dia. No sábado (29/6), ela foi transferida para um hospital particular da Asa Sul; três dias depois, não resistiu.

A família de Aline contou que houve aplicação de 30 ml de PMMA em cada glúteo dela. A falsa biomédica chegou a visitar a paciente no Hran, ocasião em que disse não ter aplicado o produto, mas um bioestimulador. Acrescentou, ainda, que Aline poderia ter pegado uma infecção no lençol de casa, versão desmentida pela família da vítima.


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