Foto/Reprodução
Funcionários do Hospital Adventista do Pênfigo no Mato Grosso do Sul procuraram a reportagem do Campo Grande News para denunciar que pelo menos 19 funcionários foram demitidos desde ontem (11) na unidade, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem.
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Os profissionais foram avisados que a motivação da demissão em massa foi o reajuste no piso da enfermagem, através da lei 14.434, de 2022, sancionada pelo governo federal e publicada na última sexta-feira (5).
“Hoje cheguei para trabalhar normal e no fim do expediente me chamaram para informar que eu estava sendo desligada, porque o hospital não teria condições de pagar o novo salário. Na quarta à noite foram demitidos oito técnicos (de enfermagem) e três enfermeiros. Hoje de manhã só comigo estavam seis técnicos e dois enfermeiros”, disse uma funcionária que preferiu não se identificar.
Ela afirmou que cada setor sofreu corte de 5% dos profissionais da enfermagem e que o CTI (Centro de Terapia Intensivo) pós cirúrgico também foi fechado por falta de mão de obra, já que os funcionários que não foram demitidos, ficaram sobrecarregados.
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“O hospital está sobrecarregando, enfermeiro responsável por duas alas e técnicos com até nove pacientes para dar assistência. Chegou paciente com fratura exposta ontem a noite no PA (Pronto Atendimento) e não tinha funcionário no centro cirúrgico para atender”, completou a ex-funcionária.
O salário dela era de R$ 1.555 e após a reforma, deveria passar para R$ 3.355. O reajuste está previsto para ser aplicado a partir de setembro na folha salarial de profissionais do setor, conforme determina a lei aprovada pelo governo federal.
“Nunca imaginei que isso pudesse acontecer, fiquei muito decepcionada porque sempre me dediquei muito ao hospital. Estou desesperada porque não sei o que vou fazer, tenho três filhos para sustentar, uma menininha de dois anos. Estou apavorada mesmo, quando a gente acha que conquistou alguma coisa, vem esse banho de água fria”, lamentou a profissional, emocionada.
A Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) confirmou que recebeu a denúncia e fará investigações no hospital para averiguar os fatos.
Em nota, o Hospital do Pênfigo negou que houve demissão em massa e que foram apenas adequações internas. A unidade disse ainda que os ajustes foram necessários para restabelecer o equilíbrio econômico e preservar os empregos dos trabalhadores, "e a sustentabilidade de centenas de famílias que dependem do seu saudável funcionamento".
Reajuste - O projeto foi elaborado pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) e institui que enfermeiros devem receber, no mínimo, R$ 4.750 por mês. Técnicos de enfermagem devem receber, ao menos, 75% disso (R$ 3.325). Já auxiliares de enfermagem e parteiras têm de receber, pelo menos, 50% desse valor (R$ 2.375). -
Do CAMPO GRANDE NEWS
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