Foto/Reprodução
Via Diario de SP - Um menino de 12 anos, identificado apenas como J., foi parar na UTI após uma reação alérgica rara que fez sua pele "soltar" do corpo. Apesar de já ter tomado a medicação antes, foi a primeira vez que ele teve tal alergia.
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O remédio em questão era o Parecetamol ou acetaminofeno, um medicamento que costuma ser usado para combater a febre com ação analgésica e antipirética, que não precisa de prescrição médica para ser comprado nas farmácias.
A mãe do menino conta que um dia após o garoto utilizar o remédio, acordou com os olhos e a boca inchados. Ela achou que era uma alergia normal, mas, por precaução, decidiu levá-lo ao médico.
"Levei-o à UBS (Unidade Básica de Saúde), mas não fomos atendidos. À noite, ele piorou, vomitava e estava mais inchado. Ao levá-lo ao Hospital Menino Jesus [na capital paulista, do SUS], os médicos decidiram interná-lo", contou a mãe do menino ao UOL.
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Ela continuou detalhando que ele só foi piorando cada vez mais, e que foi assustador ver o menino naquelas condições de um dia para outro. Surgiram bolhas d'água por todo seu corpo, como se fosse uma queimadura, mas estouraram.
Por fim, toda a sua pele se soltou, ficando em carne viva. O garoto teve reação cutânea (na pele) adversa a medicamentos, chamada de farmacodermia (entenda melhor mais abaixo).
Vale citar que, por ser uma reação grave, no momento da internação, os médicos não sabiam o que J. tinha. Na madrugada, ele foi transferido para a UTI. No segundo dia, precisou ser intubado.
No 3º dia, os médicos me informaram o diagnóstico. Ver seu filho se desfigurando na sua frente é muito ruim. Foi a pior sensação que já senti. É horrível, tenebroso e senti muito medo, apesar de todo o suporte que me foi dado", lamenta a mãe.
Para o tratamento foram utilizadas mantas e os curativos eram trocados a cada 7 dias. J. não ficou muito tempo intubado, para evitar consequências, mas o tempo total de internação foi de 35 dias.
Felizmente, ela afirma que, apesar do momento extremamente difícil, hoje ele está melhor.
Hoje, ele está muito bem e continua em tratamento, tudo realizado pelo SUS. Segue sendo acompanhado pelos especialistas, no mesmo hospital e, inclusive, participa de consultas com psicólogo", diz.
Como a pele descamou inteira, usa medicamentos para evitar cicatrizes e reduzir as manchas que ficaram. Por conta das sequelas, J. ainda está afastado da escola.
O que é a farmacodermia?
De acordo com o portal Tua Saúde, a farmacodermia é um conjunto de reações da pele e do corpo, provocadas pelo uso de medicamentos, que podem se manifestar de várias formas, como manchas vermelhas na pele, caroços, erupções cutâneas ou, até, como o caso acima, descolamento da pele, o que pode ser muito grave.
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Qualquer medicamento pode desencadear estas reações na pele, mas os que mais comumente causam estes problemas são os antibióticos, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes e os psicotrópicos.
Além disso, segundo o Sanar Med, apenas cerca de 0,1 a 1% da população geral e cerca de 2 a 3% dos pacientes hospitalizados são acometidos pelo fenômeno considerado raro.