Alerta aos Pais
Adolescentes vendem vídeos íntimos em rede que permite comércio de 'nudes'
Apesar do sucesso, o site de conteúdo adulto tem problemas em seus mecanismos de controle para impedir que menores de idade compartilhem vídeos e fotos explícitos na plataforma, conforme constatou a BBC.

Publicado em 05/12/2023 07:11 - Atualizado em 05/12/2023 07:11

Foto/Reprodução


Da BBC - O site adulto OnlyFans não tem controles eficazes para evitar que menores apareçam em vídeos explícitos, de acordo com uma investigação da BBC. Os adolescentes têm usado identidades falsas para configurar suas contas. A polícia britânica até detectou o caso de uma menina de 14 anos que usou o passaporte da avó para isso.

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Uma autoridade da unidade de proteção à criança do Reino Unido disse que menores estão sendo "explorados" por meio da plataforma.

O OnlyFans afirma que seus sistemas de verificação de idade são melhores do que os exigidos por lei.

A plataforma conta com mais de um milhão de "criadores" que compartilham vídeos, fotos e mensagens diretamente com os assinantes por uma taxa mensal.

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Existe uma variedade de conteúdo no site, mas sua popularidade é baseada em conteúdo sexual. Portanto, os usuários precisam ter mais de 18 anos de idade.

Tudo começou com fotos de pés

O OnlyFans se tornou ainda mais popular durante a pandemia, com as restrições de circulação em todo o mundo. O número de usuários quase se multiplicou por 10 desde 2019 e agora o site tem mais de 120 milhões de assinantes.

Alguns criadores de conteúdo ficaram ricos com suas contas. Outros têm usado a plataforma como uma tábua de salvação financeira durante a pandemia.

Leah, de 17 anos, conseguiu abrir uma conta com uma carteira de motorista falsa e vender vídeos explícitos.

Ela disse a sua mãe, Caitlyn, que entrou no OnlyFans em janeiro. Em uma semana, a conta bancária de Leah foi congelada depois de receber um pagamento de mais de US$ 7 mil (mais de R$ 35 mil) pela venda de vídeos explícitos no site, diz Caitlyn.

A mãe ficou surpresa: "Não entendo por que as pessoas estão pagando tanto dinheiro por isso."

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Leah teve "grandes problemas" quando criança, diz a mãe. Fotos dela nua já foram compartilhadas na escola sem seu consentimento.

Ela disse à mãe que originalmente pretendia apenas postar fotos de seus pés, já que ganhava dinheiro fazendo isso no Snapchat.

Mas isso logo se transformou em vídeos explícitos dela se masturbando e usando brinquedos sexuais.

Um 'descuido' do OnlyFans

Em um comunicado, o OnlyFans disse que o acesso de Leah ao site foi um "descuido" e que sua carteira de motorista falsa não gerou um bloqueio, como deveria.

O site diz que a conta foi aprovada durante uma transição "de um sistema eficaz de identificação e verificação de idade para um novo que é excepcionalmente eficaz".

A idade de Leah foi informada diretamente ao OnlyFans através de uma conta anônima na rede social no final de janeiro. A empresa diz que isso levou um moderador a revisar a conta e verificar sua identificação. Como a conta parecia legítima, nenhuma ação foi tomada.

Leah parou de publicar na plataforma, mas sua conta permaneceu ativa no site por mais quatro meses, com mais de 50 fotos e vídeos arquivados. Ela havia se conectado à conta ainda no final de abril.

Depois de ser contatado pela BBC, o OnlyFans fechou essa conta. Mas as imagens dela já estavam na internet.

Leah agora tem medo de sair de casa e de ser reconhecida, diz sua mãe. Seus planos de ir para a faculdade foram adiados.

"Ela não está saindo de jeito nenhum", diz Caitlyn. "Ela não quer ser vista."

'Coquetel tóxico de riscos'

Histórias sobre OnlyFans se tornaram recorrentes na imprensa. Os tabloides ficam fascinados com as fortunas feitas no site por profissionais como enfermeiras ou professoras.

Outros jornais destacam o modelo de negócios da plataforma e seu impacto no cenário digital.

O Financial Times recentemente a chamou de "a plataforma de mídia social mais popular do mundo". O jornal informou que a receita do OnlyFans cresceu 553% até novembro de 2020, e os usuários gastaram US$ 2,4 bilhões (mais de R$ 12 bilhões) no site.

Em resposta à nossa investigação, o governo britânico foi crítico sobre o OnlyFans. O site "não protegeu adequadamente os menores e isso é totalmente inaceitável", disse um porta-voz.

"Nossas novas leis vão garantir que isso não aconteça mais."

O OnlyFans recusou o pedido de entrevista da BBC. Em um comunicado, o site disse:

"Usamos uma combinação de tecnologia de ponta junto com monitoramento humano e revisão para evitar que menores de 18 anos compartilhem conteúdo no OnlyFans.

"Isso é algo que levamos muito a sério. Revisamos constantemente nossos sistemas para garantir que sejam o mais robustos possível."

O site diz que seus sistemas continuam a evoluir à medida que novas tecnologias estão disponíveis para "reduzir a incidência de menores de 18 anos se tornando usuários do OnlyFans".

Todos os nomes de menores e de adultos ligados aos menores foram alterados nesta reportagem para proteger suas identidades.


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